Dôr de alma dividida entre um passado recente sem sorrisos, onde o sofrimento me demarca agora as rugas e as cãs que rodeiam a face onde correm as lágrimas e um outro, longínquo, que me assoberba agora os dias e as noites em sonhos que se rompem contra a realidade de um novo dia cada vez mais triste. Quero partir! E mesmo que a realidade me cheire sempre a coisa bem diversa destes sonhos, já não posso voltar atrás. Conto as horas de cada dia que me mantém ainda afastado de mim mesmo! Tenho mesmo que ir! Ir até onde me possam levar as lágrimas ao encontro do vento que as há-de secar! Em terra deixarei as minhas alminhas pequeninas e levarei comigo, bem perto do coração, a saudade que me trará ainda mais lágrimas. Que também hão-de secar com o mesmo vento quente que me invade o sonho fundo! Sei que não hei-de voltar! Sei desde já que apenas a memória me servirá de conforto! Mas já não sei como ficar; como viver mais um dia que seja neste limbo arrepiante. Ai como me dói esta espera...
À procura do futuro nas areias do presente...
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