Avançar para o conteúdo principal

A voz do GPS: Chegou ao seu destino!





São palavras do GPS, metalizadas e frias de emoção. E temos aquela sensação estranha de saber se ficamos ou não contentes por chegar ao "destino", qualquer que seja.
E quem não quereria viver a vida como se fosse um programa de GPS com o percurso calculado, previsão de chegada, estado da via, etc.? Eu não.
A minha vida foi feita de estradas e encruzilhadas, sem GPS que me valesse. Olhando atrás só posso estar grato por, apesar dos "avisos à navegação" de vontades alheias, por bem intencionadas que fossem, ter feito as escolhas que fiz, as boas e as más, que me ensinaram tudo aquilo de que já não vou precisar nesta vida. Talvez, e o mais certo, é vir a precisar de tudo isso quando chegar ao momento que tanto é "chegada" como partida.
"Partir" e "chegar" são as duas faces da mesma moeda.
Quando começamos a viagem, deixamos atrás o "peso" dos minutos, horas e dias que fizeram parte daquele passado. E não voltamos a dar-lhe muita importância até que a "saudade" se torne mais forte do que o "presente". Aí lambuzados com as nossas tristezas procuramos consolo na física da saudade. Quem nunca escorreu lágrimas, depois de estar meses afastado do "lar", ao ouvir aquela música do passado ou olhar a fotografia que traz ao presente, alegrias e até mágoas de que sentimos falta? E os cheiros, os sabores, as cores...
Como todos, também fui viajante do tempo e da vida e estou agora próximo dessa chegada ao "destino" que é também "partida". A única diferença é que não tenho fotografias guardadas e tenho uma péssima memória auditiva. Fui rasgando os momentos de papel, por aqui e por ali, e das baladas que me rimaram e dançaram os dias sinto, de vez em vez, uma brisa que não chega a trazer-me os cheiros de um passado longo e doloroso.
Não me quero queixar e mais confirmo que faria tudo de novo da mesma maneira. Quiçá não me teria deixado levar tantas vezes pelo coração em detrimento da razão, apenas isso. Quanto ao resto, acho que não mudaria uma vírgula.
Foi bom? Foi mau?
Foi tudo isso e tanto mais que nem sei onde levar tanta bagagem. Acho que vou ter que deixar alguma nos "achados e perdidos".

Comentários

  1. Podrías haber puesto un traductor no?
    Me gustaría poder leerla...jaja un fuerte abrazo de:
    Don Quijote de la Mancha

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Deixe aqui o seu comentário!

Mensagens populares deste blogue

Já Não Quero Que a Saudade Regresse!

  Os amigos do princípio eram os companheiros do sonho de infância, povoando o imaginário de aventuras em que do nada se fazia tudo: bastava sonhar! Navegámos dias de todas a cores e, às vezes, tantas, só a preto e branco. Mas o que queríamos mesmo era voar nas asas do sonho. Éramos crianças!   Desses tempos me chegam aguareladas memórias e de quando em vez, um pequeno arrepio de tristeza esfria-me a nuca. De tão novo me ficaram lembranças de companheiros em quem, já tão cedo, vi mares de egoísmos e maldades das que não alcanço lembrar mais do que esse ligeiro frémito. Éramos crianças!   Fomos crescendo e, no meu mundo de aventuras, arrastado às costas da família andarilha, de terra em terra, fui deixando e colhendo em toda a parte saudades. Não lembro nomes. Recordo árvores, mato grosso e escuro, em recantos de aventura; savanas poeirentas, lar de feras; picadas de longos, largos e fundos trilhos; areias escaldantes, mordidas de pinha casuar; mar lúcido, feito esme...

Terras À Vista

Tropeçou meu destino em fim de tarde!  O verde-azul do horizonte enche-se de sangue por entre voos de gaivotas e gritos de dia sem história. Entretanto, meus olhos que, mais do que rios, têm mares infinitos e cristalizam os dias passados em doces memórias, empedreceram nos minutos que foram muros de minhas horas de vida.  De pouco valeu ser mais que gente e menos que bicho: tudo em redor mais não foi que palavra feita vento e sal. Memórias de cada onda que passou meus olhos, inundam a areia onde se espraiam agora as maresias da minha infância.  Só, como todas as horas, deitei corrida ao fim do mundo. Em sonhos, mais que em passada larga e destemida, cheguei quase tarde. Fui certeza e logro que me levou sem destino marcado ao encontro de um outro eu que não aquele. Fiz da noite capa de um destino que não cabia noutro lugar e nem podia: que eu sou feito de outros escuros e outros segredos; de outros mares além dos sete que me juram. Deixei de ser partida e sou, agor...

O Circo e a cidade!

Retempero forças perdidas em batalhas que nunca quis pelear. Busco agora as dúvidas que também lá deixei e regresso à certeza dos dias com princípio, meio e fim. Agora já sei que a madrugada morreu no assalto final do sol que desembainhou manhãs e arremessou tardes raiadas de horas coradas contra os escuros minutos que desdormia. E agora também sei que amanhã a batalha continua e a guerra entre mim e a vida será sempre uma interminável comédia onde não cabem papéis principais. Ao cair do pano erguer-se-ão das plateias as almas que de seguida irão representar. Senhoras e Senhores, Meninos e Meninas: o Circo está na cidade!