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Mensagens

Tiago Duarte - Quando a expressão ultrapassa o significado.

Tiago Duarte , reside actualmente em Manchester, no Reino Unido, onde termina o mestrado em Belas Artes. É difícil colocar em palavras escritas todas as horas em que debatemos sobre tantas coisas e também sobre estas andanças da expressão enquanto arte ou sobre a ausência daquela nesta. O que me ficou foi a força indelével com que o seu trabalho me impressionou o espírito e me assegurou que este criador tem à sua espera um futuro grandioso se mantiver o caminho explêndido que até agora tem trilhado. Os seus trabalhos têm por certo um tom que não se acerca da consciência do mero mortal e como ele mesmo diz : "o valor da arte está nos olhos de quem a vê". Partindo desse pressuposto, T. Duarte inicia uma incessante busca por esse desprendimento, alicerçada numa postura calma e contemplativa que permite transmitir no suporte uma tempestuosa força que parece não encontrar fim de obra para obra. Trespassa no conjunto o seu olhar crítico e assertivo como se fizesse um tremend...

O Sol De Londres

 Talvez porque tenha chegado de Manchester, cidade de que realmente não gostei ou porque acordei com um sol esplendoroso, a despertar-me de um atribulado sonho onde as memórias exaltadas se misturavam com alegrias incertas de desejos simples, como andar pela beira-mar, a verdade é que a vida atravancou-me o olhar e tudo me parece agora mais ardente e feliz. Tantos anos desta cidade e de cada vez que me afasto, volto como se fosse a primeira vez.   Ontem, quase perdia o último comboio de Charing Cross para Eltham e arrisquei ficar empancado toda a noite em Londres. Já se ouviam os apitos de partida quando me atirei ofegante para a carruagem cheia de personagens dignas de um filme.    Estranha viagem! Uma bela senhora, quarentona avançada que quase imaginei poder ser minha, não fosse a rispidez do gesto em contraste com a forma elegante como vestia, sentada à minha frente, deitava-me olhares inquisitivos e lia uma revista de arquitectura. Num canto, meia dúzia ...

Um Adeus a Manchester!

  Nem sei que dizer deste lugar! Apenas me fica a impressão de que nunca hei-de sentir saudades. Arrepios sim! Não de frio nem de febre: só de desconforto interior! Parto amanhã para Londres e já a alma me parece sorrir. Adoro aquela cidade e mais quando me encontro longe dela.   Aqui vai ficar cimentada a ideia de que as primeiras impressões são sempre as que sobrevivem. Quer seja dos lugares quer das pessoas. E aqui, estas são mesmo o que se esperaria de uma cidade que é tão triste, húmida e pesada.   As caras refletem bem o céu cinza que tanto me acabrunha os minutos! As pessoas são cabisbaixas e secas por trás das peles cinzentas como o céu de Manchester. Haverá alguém que ame esta terra e a chame "sua"?   De tudo o que aqui vi só um lugar me chamou a atenção e me marcou pela positiva: a Faculade de Belas Artes da Manchester Metropolitan University. Ali, na companhia do amigo Tiago Duarte , artista de alto nível e cujo trabalho me inpira o maior respeito, vi...

Terra de moinhos

De onde se fala de paredes e chaminés de tijolo esverdeados pelo tempo imenso em que estão mergulhados numa nuvem húmida e densa que envolve toda a cidade de Manchester. A minha viagem para Londres tinha por objectivo encontrar o motivo para o meu próximo trabalho na linha do que executei há alguns anos em Lisboa e que hoje é a base da minha arte, pelo menos no que toca à sobrevivência no dia-a-dia.  Entretanto e a propósito de uma conversa de tasca em Lisboa com o António e com o Mário, resolvi dar um salto a Manchester para visitar um amigo de longa data e que também escreve as suas linhas. Aliás foi a qualidade dessas mesmas palavras que exacerbaram a minha vontade, que era já grande, de o visitar. Aqui não referirei o seu nome a seu próprio pedido.   Cheguei a Manchester num domingo de Janeiro às 23 horas e fui efusivamente recebido pelo meu amigo com abraços que muito bem me fizeram à alma e a deixaram acalmar por alguns momentos dos tormentos que tem vivido nestas últim...

Quo vadis, Facebook?

O Meu amigo Jorge Lemos perguntou no FB: "Facebook: quebra barreiras aproximando as pessoas ou, em sentido inverso, mata o exercício da conversa aberta, directa e na primeira pessoa? Será uma caixa de pandora?"   Ao que comentei: "O Facebook é mesmo a caixa de Pandora. Mas não só por esse motivo: a transferência da vida social efectiva em que as pessoas se encontram e partilham a vivência, para o mundo virtual em que apenas se encontram na rede, veio fazer da realidade individual um quarto fechado em que desaparecem as barreiras entre o humano e o animal. Mas não deixa de ser a maior experiência de anarquia jamais intentada pelo ser humano..."   E ele, "Não consigo, ainda, ter uma ideia formatada sobre esta nova realidade. É bem verdade que se refizeram velhas amizades e se criaram outras, novas. É bem verdade que aproximações (familiares e de amizades) aconteceram. Mas também é bem verdade ... que ao não haver uma "acareação", deix...

O velho "Geada"

As nuvens escuras, pesadas como as pedras em que me sento, unem aos ventos a vontade de estirar amarras. Daqui, vejo tudo! Junto ao velho cais onde cambaleiam os navios que nunca voltarão a navegar, ouve-se o ranger cantado dos cabos soltos em feitio de melodia estranha, como se um maestro louco abandonasse a orquestra num rompante enraivecido. Os velhos barracões de mais ferrugem que chapa, assobiam e ribombam de fundo. A tempestade tinha prometido e cumpre agora a palavra dada. Sobe tonitruante a escadaria do átrio deste palco e a sua presença cala os vivos, enquanto se esconde o silêncio por entre o escuro breu de um céu sem nome. Na boca da barra espuma de raiva o mar imenso e varre os molhes de açoite em açoite. Das gaivotas nem sinal, pois que o inferno desce à terra! Só se vê um vulto: curvado debaixo das horas, ou de um destino esquecido, tendo por tecto a velha capa de oleado, finca pés, como se a tempestade fosse numa terra longínqua em que os homens só passam quando nada m...

Histórias de marinheiros

De que vale sonhar infindas distâncias, quando o pesadelo não deixa que a manhã vibre solarenga? De quem são aquelas sombras que tapam o meu sol e me desviam do meu Norte? Não tenho já dias nem noites por onde passar escondido dos olhares que o destino me deita; Não reconheço no vento as vozes que um dia me chamaram como sereias no meio do mar; Os olhos derretem-se-me agora em vagas de mar salgado, desfocando os horizontes, escondendo futuros... Marinheiro de Caronte, sério imigo de Selene, busco agora quem tenha olhos e veja, ouvidos e oiça: Há uma história para contar enquanto as velas se não enfunam e os ventos não acordam. Mas quem escutará para além dos náufragos a quem as prometidas marés nem jangada deixaram? Talvez os silêncios escutem, quietamente resplandecentes na sua altivez, no seu imoto estar.

Não há mar que tanto malhe, nem navio que não encalhe!

Se eu pudesse pedir um desejo que me satisfizesse a alma e me trouxesse um só sorriso pediria, como as crianças fazem na sua inocência às estrelas, que me deixassem sem saber o norte, aos deuses que me escondessem da vida e aos anjos que se esquecessem de mim. Mas porque não há bruxas nem milagres, resta-me navegar o resto deste mar até que atraque um dia num qualquer porto de abrigo ! As velas deste navio já parecem andrajos de tanto que foram rasgadas e cosidas; o mar que tantas vezes me embalou os sonhos, alça agora a sua fúria e despeja sobre o convés vagas de espumado desvario e estica, até partir, o cordame já sem força. Mas do leme brotam gritos de avante! Não há mar que tanto malhe, nem navio que não encalhe! Somos só dois: nave e eu! E o dia há-de chegar em que acabe todo o breu! Meu vento são palavras; minha bússola meus poemas; ao leme o que me agarra é vencer minhas penas. Haveremos de passar, muito além deste cabo, até além onde brilha o sol. E o mar, acariciando a q...

Visita à infância!

Dôr de alma dividida entre um passado recente sem sorrisos, onde o sofrimento me demarca agora as rugas e as cãs que rodeiam a face onde correm as lágrimas e um outro, longínquo, que me assoberba agora os dias e as noites em sonhos que se rompem contra a realidade de um novo dia cada vez mais triste. Quero partir! E mesmo que a realidade me cheire sempre a coisa bem diversa destes sonhos, já não posso voltar atrás. Conto as horas de cada dia que me mantém ainda afastado de mim mesmo! Tenho mesmo que ir! Ir até onde me possam levar as lágrimas ao encontro do vento que as há-de secar! Em terra deixarei as minhas alminhas pequeninas e levarei comigo, bem perto do coração, a saudade que me trará ainda mais lágrimas. Que também hão-de secar com o mesmo vento quente que me invade o sonho fundo! Sei que não hei-de voltar! Sei desde já que apenas a memória me servirá de conforto! Mas já não sei como ficar; como viver mais um dia que seja neste limbo arrepiante. Ai como me dói esta espera...

Um amanhã sem ontem!

É difícil saber-se bem o que queremos quando somos mais velhos. Mas se somos mais novos, julgamos ter todas as certezas do mundo e pensamos que o nosso amanhã é um sonho qualquer que não tem nem deixa dúvidas! Achamos então, que tudo é mais do que controlável e que tudo o que fazemos, desejamos fazer ou que vamos mesmo fazer, são meras certezas absolutas! Não há espaço para o acaso! A certeza é o veneno desta era em que vivemos. Quando mais velhos, aprendemos a viver com o que temos e tentamos, na medida do possível, encontrar um equilíbrio entre aquilo que desejamos e aquilo que achamos ser plausível. E também temos algumas certezas bailando entre o certo e o incerto de maneira a que não possamos dar de caras com o imprevisto da realidade. Sem querer passar por Velho do Restelo, não posso deixar de pensar em todos aqueles para quem os sonhos gritantemente irreais, lhes tiram o sono e rasgam a felicidade. Não como todos os que sabem e aprenderam a viver com aquilo que têm, transforma...

Mais uma voz calada!

Um absurdo! Isto é a demonstração de que José Eduardo dos Santos é um dos piores criminosos de toda a África . A corrupção em Angola é um imenso monstro dirigido por esse senhor e seus capangas. O petróleo, contudo, faz com que as nações poderosas não o tenham ainda colocado na lista dos criminosos mais procurados. Assim como às dezenas de "generais" que comandam a máfia desse crápula. Mas ele nunca calará a voz de todos quantos se revoltam contra o estado das coisas naquele país irmão. Mais cedo ou mais tarde vai arder no inferno! Mas o que não surpreende é mesmo a estupidez daquele regime. Será que julgam que calando uma voz, vão abafar a verdade? É preciso ser-se mesmo estupidamente arrogante para fazer isto! Para ler  aqui .

O "Povo Maravilhoso"

Em Moçambique, assistimos a uma revolta do Povo! Abençoadas gentes que não calam o que lhes vai na alma. Depois de décadas de aceitação e resignação, as gentes de Moçambique bateram o pé e deixaram uma ameaça: se o governo não arrepia caminho isto vai piorar! Foi 2008 e 2010. Para a próxima vai ser bem pior! Apoiar qualquer acção do nosso povo contra os abusos da classe opressora que há mais de 30 anos rouba e deixa a sua gente na miséria depois de tanto sofrimento antes da independência, é um dever moral. O governo moçambicano é um dos mais corruptos do mundo e está visto que não é com palavras que vão resolver o assunto! Não basta apontar o dedo a criminosos como MBS e olhar para o lado. As instituições internacionais já se estão a aperceber da imparável onda de corrupção que delapida o país e que dentro de pouco tempo vai fazer muito mais sangue. Ouvimos chamar a estas manifestações "desacatos". Palavras de um governo de criminosos a soldo que não se coíbe de roubar o ...

Star spangled banner! In the name of $$$$

Há coisas que nos fazem pensar na loucura do mundo em que vivemos. As mentiras de um exército de criminosos às ordens de uma potência demasiado inculta para assumir os seus erros e que ainda protege este bando de vampiros sedento de sangue e que não olha a meios para defender a sua ideologia moribunda. Muito mais sangue irá passar ainda debaixo da ponte de Brooklin até que estes criminosos paguem por coisas como esta!

Os 7 Pecados Mortais (3) - A Ira

Nasci com fúria. Antes do tempo, contava minha mãe. Já vinha de veia inchada e aspecto venioso! Minha guerra era com a vida e com as desgraças que ali vinham, sem que eu as tivesse pedido. De pequeno arrancava asas às moscas e pisava formigas. Não por sadismo, só por raiva de que pudessem apenas incomodar-me. De jovem cresci adulto e dessa mera raiva nasceu a ira. Odiei como se odeia o inferno e raivejei minhas horas sem que contasse os minutos. De nada me serviu o sorriso complacente do amigo ou a palmadinha calmante materna. Apenas o vermelho sanguíneo que me toldava os olhos. Por saciar ficou a loucura dos momentos em que não via mais nada senão o desejo de perder a cabeça e fazer tudo aquilo de que é feito o arrependimento. E mesmo depois da solidão de quem vive o silêncio irado, nada aprendi... Fica-me apenas esta delicada respiração e a certeza de que ainda não encontrei a calma com que haveria de encontar-me com a eternidade. Também este é o meu preço!

Os 7 Pecados Mortais (2) - Inveja

Olhei meu par e também quis! Não tanto como ele, mas mais! Não por ter apenas, mas por ter mais, sempre mais do que ele. Por desejar o que ele ainda não tinha; para que o meu espelho me mostrasse (e a todos) quão maior eu era do que ele. Doía-me o coração ver que ele podia ter mais do que eu. E ele tinha! Tinha, mesmo aquilo que era meu! E eu queria mais! Mais do que ele tinha! Todas as manhãs, em que ele dormia por já ter, eu sofria por não ter. Todas as tardes, em que ele descansava na sombra, eu trabalhava para também ter. Todas as noites, em que ele olhava as estrelas que lhe trariam a madrugada, eu ansiava pela manhã... Pela manhã em que tivesse mais, mais do que ele! Dia trás dia, desejei! Não o que ele tinha, mas mais do que ele! E agora ainda tem. Tem mais do que eu! Tem pelo menos a certeza de, não querendo o que é meu, ter decerto mais do que eu! Este também é o meu preço!

Os 7 Pecados Mortais (1) - Orgulho

Passei, confesso, pela estrada do orgulho! Como criança, adolescente ou adulto. No princípio, apenas por necessidade, depois por inconsciência e finalmente, por estupidez! Cada vez que olhava o espelho encontrava em mim tudo aquilo que desejava ser mas que, ignorante, ignorava! Cada passo, cada gesto, uma certeza apenas de que o pouco (quase nada, ou nada mesmo) que tinha feito na insignificância da minha vida, era um arrepio de prazer que me invadia a espinha e fazia de mim um ser melhor que todos os outros. Certifiquei, perante mim, que todas as coisas me eram possíveis. E falhei! Como era previsível, falhei! Julguei meus caminhos mais longos que todos os caminhos e quando sofri, muito e muitas vezes, julguei que ninguém mais do que eu sofrera. E mesmo assim, inchei de prazer e força por poder e aprender a sofrer! E porque, como Ícaro, caí e voltei a cair (mais do que uma vez), até que aprendi a voar, achei que era também mais do que o ar que me sustentava. E da dor que me assob...

O "não" por princípio!

Ando muito surpreendido com o facto de ver a palavra "niilismo" por tudo quanto é lado na blogosfera. Parece que, de repente, os bloguistas se lembraram da palavra que durante anos andou escondida nos meandros poeirentos dos dicionários e nas mentes não menos poeirentas de "marrões" e professores de Filosofia. Então lembro-me da dificuldade que tive no liceu para apreender o conceito. Tinha acabado de passar pelo niiismo característico dos anos 60, incólume devido à tenra idade e não tinha a mínima ideia do que quereria dizer tal palavrão. Com o andar dos anos fui entranhando o significado e acabei por me tornar, também eu, num niilista de primeira. A negação total de valores, como princípio, faz parte do crescimento hormonal juvenil e nenhum mal vem daí ao mundo. O problema é quando esse niilismo se estende pela vida adulta e confronta os egos com a sua própria negação. Um adulto niilista é um frustrado que nunca chegará a ter certezas e que mais depressa arranja ...