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Domingo na Cidade



 As ruas desertas mostram a nudez das horas. Um silêncio familiar atravessa os raios de sol mortiço que iluminam os entre-olhares dos recém amantes sentados pelos bancos da praça. Há promessas para nunca cumprir e o sempre que se sussurra não passa de uma jura inocente de que a primavera vai durar para a eternidade. Pelo correr das horas dir-se-ia que o peso do ar não deixa passar o dia.
  Num banco de jardim, cercado de andorinhões, os meus olhos prendem-se ao fio do horizonte na boca do rio e finge grades férreas nas colunas de uma ponte suspensa das nuvens. A cinza abafada do céu acinzenta os gestos de quem passa e apenas eu testemunho. a primavera.
  

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Bem: isto é complicado!

Hoje, que somos muitos e temos pouco tempo, olho atrás para ver reconhecer apenas a razão do fim! De nada me valeu a vida! Já sabia de tudo: que ainda não conseguia andar mas afinal corria; que não sabia caminhar e afinal voava; que não podia falar, mas dizia... Tantas e tantas coisas que não cabem nas palavras que um deus coloca na vida!
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